"Todos sabemos que somos animais da classe dos mamíferos, da ordem dos primatas, da família dos hominídeos, do género homo, da espécie sapiens, que o nosso corpo é uma máquina com trinta biliões de células, controlada e procriada por um sistema genético que se constitui no decurso de uma longa evolução natural de 2 a 3 biliões de anos, que o cérebro com que pensamos, a boca com que falamos, a mão com que escrevemos, são órgãos biológicos, mas este conhecimento é constituído por combinações de carbono, de hidrogénio, de oxigénio e de azoto.
Desde Darwin, que somos filhos de primatas.
Fomos nós que edificámos cidades de pedra e de aço, inventámos maquinas, criámos poemas e sinfonias, navegámos no espaço; como não havíamos, pois, de acreditar que, embora vindos na natureza, não tenhamos passado a ser extra naturais e sobrenaturais?
Desde Descartes que pensamos contra a natureza.
E, se fomos obrigados a admitir hoje em dia que todos os homens são homens, apressamo-nos a excluir aqueles a que chamamos "desumanos".
