"Desde a minha juventude que o meu espírito não concordava com as almas dos homens e não podia olhar a terra com os seus olhos. A ambição que devorava os outros era-me desconhecida; o seu fim não era o meu [..] os meus prazeres, desgostos, paixões e inteligência tornavam-me estrangeiro diante do mundo. Ainda que revestida da mesma forma de carne como as outras criaturas que me cercavam, não sentia nenhuma por elas. [...] Uma só [...] mas falarei disso noutra altura.
Os meus prazeres eram errar na solidão, respirar o ar das montanhas cobertas de gelo, no cimo das quais os passáros não ousam construir os ninhos, e cujo granito sem erva afasta os insectos com asas ligeiras. Eu gostava de mergulhar na torrente ou nas vagas do mar agitado; orgulhava-me de exercer as minhas forças contra as correntes rápidas, gostava de seguir durante a noite o caminho silencioso da Lua e o curso brilhante de cada estrela, contemplava os relâmpagos durante as tempestades até que os meus olhos ficassem deslumbrados, ou escutava a queda das folhas, quando os ventos do Outono vinham desfolhar as florestas. Tais eram os meus prazeres. Tal era o meu amor de solidão que, se os homens que me afligiam por ser seu irmão se encontravam perto de mim, me sentia humilhado e degradado; já não era como eles, mais do que uma criatura aviltada.
[Lord Byron]
Sturm und Drang
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